Legado Puritano
Quando a Piedade Tinha o Poder
Áudios
Deus Requer Santificação aos Cristãos 73
Data: 26/03/2022
Créditos:
Texto: Silvio Dutra
Voz: Silvio Dutra

 

1 Jesus, entretanto, foi para o monte das Oliveiras.

2 De madrugada, voltou novamente para o templo, e todo o povo ia ter com ele; e, assentado, os ensinava.

3 Os escribas e fariseus trouxeram à sua presença uma mulher surpreendida em adultério e, fazendo-a ficar de pé no meio de todos,

4 disseram a Jesus: Mestre, esta mulher foi apanhada em flagrante adultério.

5 E na lei nos mandou Moisés que tais mulheres sejam apedrejadas; tu, pois, que dizes?

6 Isto diziam eles tentando-o, para terem de que o acusar. Mas Jesus, inclinando-se, escrevia na terra com o dedo.

7 Como insistissem na pergunta, Jesus se levantou e lhes disse: Aquele que dentre vós estiver sem pecado seja o primeiro que lhe atire pedra.

8 E, tornando a inclinar-se, continuou a escrever no chão.

9 Mas, ouvindo eles esta resposta e acusados pela própria consciência, foram-se retirando um por um, a começar pelos mais velhos até aos últimos, ficando só Jesus e a mulher no meio onde estava.

10 Erguendo-se Jesus e não vendo a ninguém mais além da mulher, perguntou-lhe: Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou?

11 Respondeu ela: Ninguém, Senhor! Então, lhe disse Jesus: Nem eu tampouco te condeno; vai e não peques mais." (João 8.1-11)

 

Nesta passagem nós podemos contemplar a antecipação do perdão do pecado prometido por Deus para a nova aliança, de uma forma prática, em que Jesus atuando como o grande instaurador de uma nova dispensação, a da graça, para vigorar no lugar da antiga, que se fundamentava nos preceitos da Lei de Moisés, pela qual era ordenado que os pecados de adultério, feitiçaria, assassinato, dentre outros, deveriam ser punidos com a sentença capital de morte física pelas autoridades de Israel. Mas, na nova dispensação haveria a suspensão de tal ordenança, como de muitas outras, como por exemplo a lei do olho por olho, dente por dente; a de distinção que deveria ser feita entre coisas limpas e imundas; a guarda de dias solenes considerados sagrados (festas fixas - páscoa, tabernáculos, pentecostes, trombetas, lua nova, sábados etc). E o principal de tudo, o oferecimento de perdão para todos os tipos de pecados, exceto a blasfêmia contra o Espírito Santo. Vemos a aplicação prática destes princípios que regeriam a nova aliança, na dispensação da graça, neste episódio havido com a mulher flagrada em adultério.

Nós, por nossa natureza decaída, somos naturalmente inclinados para o legalismo, em que julgamos que aquele que errar deve sofrer e ser punido pelo erro que cometeu, sem que lhe seja concedido qualquer oportunidade para arrependimento e perdão. Quando agimos de tal forma nós não apenas desprezamos e rejeitamos o evangelho e principalmente o sacrifício do próprio Jesus, que morreu para que tivéssemos a oportunidade de sermos perdoados e restaurados.

O "não peque mais" que Jesus disse à mulher que havia adulterado, foi proferido somente depois que vislumbrou o seu arrependimento, e de ter-lhe concedido o perdão e livramento da condenação, não apenas daquele ato de adultério, mas até mesmo da condenação eterna, pois supomos que ela se arrependeu para a salvação eterna. 

"Não peques mais" é o alvo que deve ser perseguido por todo genuíno cristão, pois por meio da fé em Jesus, e por um andar no Espírito Santo, pela meditação e prática das palavras de Jesus, é possível se formar uma mente espiritual que seja capacitada a vigiar contra o pecado e resistir e rejeitar a toda forma de tentação que possa guerrear contra a nossa alma, e atuar em nossas afeições.

Estes frutos espirituais só podem ser produzidos em nós pelo Espírito Santo, naqueles que têm o pendor do Espírito, e há três coisas distintas no grande dever de ter o pendor do Espírito, ou seja, de ser espiritual:

(1) O exercício atual da mente, em seus pensamentos, meditações, e desejos, sobre coisas espirituais e divinas. Assim é expressado em Rom 8.5: “Porque os que se inclinam para a carne cogitam das coisas da carne;”; isto é, eles pensam nelas, nestas coisas da carne, nas ideias deles sobre elas, e os desejos deles que são forjados por elas; “mas os que se inclinam para o Espírito, das coisas do Espírito”; isto é, eles prestam atenção a elas fixando nelas os seus pensamentos e meditações.

(2) A inclinação, disposição, e estrutura da mente, em todos os seus afetos, por meio dos quais adere e se dirige para as coisas espirituais. Este pendor do Espírito habitualmente reside nos afetos.

Portanto, o pendor do Espírito, ou a mente renovada que opera por um princípio espiritual de luz e vida, é o exercício de seus pensamentos, meditações, e desejos, em coisas espirituais, procedendo do amor e deleite de seus afetos neles e compromisso com eles.

(3) Um desvanecimento de mente, daquele prazer e sabor que acha em coisas espirituais, da doçura delas em sua constituição, inclinações, e desejos.

Há um sal em coisas espirituais, por meio do qual elas são temperadas e se fazem saborosas a uma mente renovada; embora para outros elas sejam como a clara de um ovo, que não tem qualquer gosto ou sabor. Nisto se baseia o prazer e a doçura e satisfação da vida espiritual. Noções especulativas sobre coisas espirituais, quando elas estiverem sós, é algo seco, sem sabor e estéril. Neste pendor do Espírito nós provamos por experiência que Deus é cortês, e que o amor de Cristo é melhor que o vinho, ou tudo o mais que produza prazer. Este é o próprio fundamento daquela "alegria que é indizível e cheia de glória" (I Pe 1.8).

Ser espiritual é o grande caráter distintivo dos verdadeiros crentes de todas as pessoas não regeneradas (incrédulos). Como tal é isto aqui afirmado pelo apóstolo. Todos aqueles que estão na carne, que não são nascidos de novo do Espírito, não podem agradar a Deus, nem podem fazê-lo e estão destinados a perecer. Mas aqueles que têm o pendor do Espírito, que são espirituais, que são nascidos de novo, são nascidos de Deus e vivem para ele, e podem agradá-lo. Os que são espirituais têm vida e paz.

Não será então nenhuma pequena vantagem sempre trazermos nossas almas e consciências em sujeição devida ao poder desta verdade - isto é, que ser espiritual é vida e paz; de onde se seguirá, que tudo aquilo que nós possamos pensar caso não sejamos isto, nós nunca teremos nenhuma vida ou paz.

 

 

A vida que aqui temos

é apenas um protótipo

daquela vida eterna e santa

que Deus projetou

antes da criação do mundo.

 

Tudo deve ser feito novo,

o espírito, a alma e o corpo.

Isto é feito pelo Santo Espírito.

 

Quem nascer de novo

terá a vida eterna.

E esta vem somente a quem

se arrepende e tem fé em Cristo.

Enviado por Silvio Dutra em 28/01/2022
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