Legado Puritano
Quando a Piedade Tinha o Poder
Áudios
Deus Requer Santificação aos Cristãos 76
Data: 01/04/2022
Créditos:
Texto: Silvio Dutra
Voz: Silvio Dutra

 

“9 Ou não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não vos enganeis: nem impuros, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem sodomitas,

10 nem ladrões, nem avarentos, nem bêbados, nem maldizentes, nem roubadores herdarão o reino de Deus.

11 Tais fostes alguns de vós; mas vós vos lavastes, mas fostes santificados, mas fostes justificados em o nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus. (I Coríntios 6.9-11)

 

Ao apresentar alguns casos de pecadores notáveis e públicos, o apóstolo não pretendia fechar a lista daqueles que permanecendo ainda escravizados às referidas práticas estariam sujeitos a não herdarem o reino de Deus, mas apenas revelar que permanecem sob condenação aqueles que ainda se encontram na condição de serem escravizados ao pecado, por não terem resolvido o problema do pecado original por meio do arrependimento e fé em Cristo.

Mas o seu grande propósito nesta citação não é o de expor tais pessoas a uma condenação inevitável e inapelável, tanto que os que aqui são referidos são levantados pelo apóstolo como um exemplo do poder de Jesus Cristo para libertar de qualquer tipo de pecado, inclusive aqueles associados a vícios considerados insuperáveis. Ele não se refere aos tais como um delegado de polícia ou um juiz togado, mas como a filhos amados que haviam estado sob o domínio e servidão de tão hediondos vícios e pecados e que os haviam vencido ou se encontravam ainda em processo de cura e libertação por meio da graça de Jesus, por aplicação da Palavra e operação do Espírito Santo.

Ele se referiu à purificação e santificação deles como algo já concluído, pelo uso do verbo no passado: "Tais fostes alguns de vós; mas vós vos lavastes, mas fostes santificados, mas fostes justificados em o nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus." Mas bem sabemos, que isto é uma referência à justificação, regeneração e santificação inicial que haviam recebido na conversão inicial, e principalmente à expiação do pecado original pela fé em Jesus. Eles foram recebidos como filhos amados de Deus, a par de todos os horríveis pecados em que haviam vivido anteriormente, e este Pai amoroso haveria de cuidar e de curar no tempo todas as sequelas e fraquezas que ainda houvessem permanecido neles como resquícios das trevas em que haviam vivido. 

É aqui que entra a necessidade do progresso em santificação do crente, porque já tendo sido lavado totalmente pela Palavra de Jesus, por meio da fé nEle e no evangelho, ainda há esta necessidade de se lavar diariamente os pés, de toda contaminação que atinge o crente pelo contato com este mundo. 

O principal de tudo então, na santificação, é não perder o primeiro amor a Cristo. Não negligenciar a comunhão com Ele por meio de uma real sinceridade em se desejar obedecer à Sua vontade e Palavra, pois enquanto houver em nós esta luta contra o pecado por amor à Sua glória, nós seremos agradáveis a Deus, a par de todas as fraquezas que ainda possam existir em nós, e contra as quais estejamos ainda lutando para serem vencidas.

Temos um Pai que apesar de não passar por alto os nossos pecados, é cheio de terna compaixão por nós, e que está disposto a nos perdoar setenta vezes sete, sempre que nos arrependermos, e que prometeu por uma nova aliança no sangue de Jesus, perdoar e esquecer todos os pecados e transgressões de Seus filhos. É sobretudo nesta promessa que fez o Deus que não pode mentir, que devemos manter permanentemente a nossa confiança, para nos aproximarmos dEle para formar em nós uma boa consciência e um coração puro, por simplesmente olharmos pela fé para Jesus, que é o autor e o consumador da nossa fé.

O Espírito Santo infunde no crente um hábito de santidade que é abrangente; constante ou uniforme; e permanentemente, até o fim.

Assim, dispõe o coração para os deveres de santidade de maneira constante e uniforme. Aquele em quem se encontra, sempre teme, ou está no temor do Senhor o dia todo. Em todos os casos, em todas as ocasiões, ele igualmente dispõe a mente para atos de santa obediência.

É verdade que as ações da graça que procedem dela são às vezes mais intensas e vigorosas em nós do que em outras ocasiões. Também é verdade que às vezes somos mais vigilantes e diligentemente atentos em todas as ocasiões de graça atuante - seja em deveres solenes, ou em nosso curso geral, ou em ocasiões particulares - do que em outras ocasiões.

Além disso, existem épocas especiais em que encontramos maiores dificuldades e obstáculos de nossas luxúrias e tentações do que normalmente, pela qual esta disposição santa é interceptada e impedida.

Mas apesar de todas essas coisas que são contrárias a ela, e que obstruem suas operações, por si e por sua própria natureza, ela inclina constante e uniformemente a alma, em todos os momentos e ocasiões, para deveres de santidade.

O que quer que aconteça de outra forma, é acidental. Esta disposição é como um riacho que surge igualmente de uma fonte viva, como nosso Salvador expressa isso em João 4.14, "Uma fonte de água jorrando para a vida eterna." À medida que esta corrente segue o seu curso, pode encontrar oposições que a param ou desviam por um período; mas suas águas continuam avançando continuamente.

Nisto também, a alma coloca Deus sempre diante dela, e caminha continuamente como à sua vista.

É "água viva"; e quem bebe nunca mais terá sede. É "uma fonte de água jorrando para a vida eterna", João 4.14. Ela brota sempre, sem intervalo, porque é água viva, da qual os atos vitais são inseparáveis. E assim, permanentemente e sem cessar, ela brota para a vida eterna. Não falha até que aqueles em quem é incrustada, estejam seguramente alojados no desfrute dela.

Isso é expressamente prometido na aliança: "Vou colocar meu temor em seus corações, e eles não se afastarão de mim", Jer 32.40. Aqueles em quem existe esse temor, que é permanente e infinito, nunca o farão.

É verdade que é nosso dever - com todo o cuidado e diligência no uso de todos os meios de graça (oração, meditação da Palavra etc) - preservar, valorizar e melhorar tanto o próprio princípio, e seus atos nessas disposições santas.

Devemos "mostrar toda diligência para a plena certeza da esperança até o fim", Heb 6.11.

E é no uso dos meios, e o exercício da graça, para que este princípio seja infalivelmente mantido e preservado, Is 40.31 - e também é verdade que às vezes, em algumas pessoas, sobre a feroz interposição de tentações, com o violento e enganoso trabalho de luxúrias, o próprio princípio pode parecer totalmente sufocado por um período, e esta propriedade deve ser destruída, como parece ter sido com Davi sob sua triste queda e decadência. No entanto, tal é a natureza dele que é imortal, eterno, e nunca morrerá absolutamente.

Essa é a relação disso com a aliança de fidelidade de Deus, e mediação de Cristo, que nunca será totalmente cessada ou extinta.

Ele permanece, dispondo e inclinando o coração a todos os deveres de santa obediência, até o túmulo.

Na verdade, normalmente, e onde é genuíno o trabalho e a tendência não são interrompidos por negligência maligna ou pelo amor do mundo, ele prospera e cresce continuamente até o fim.

Portanto, alguns não são apenas frutíferos, mas são suntuosos e florescentes na velhice; quando o homem exterior deles se deteriora, então neles o homem interior é diariamente renovado em força e poder, 2 Cor 4.16.

Mas, como para todos os outros princípios de obediência, seja em sua natureza decaindo e murchando; todas as suas ações tornam-se insensivelmente mais fracas e menos eficazes. Assim também, na maior parte, ou o aumento da sabedoria carnal, ou o amor do mundo, ou alguma tentação poderosa, em um momento ou outro coloca um fim absoluto a eles, e eles não têm nenhuma utilidade.

Desta forma, portanto, a nova natureza divina que está nos crentes, dispõe e inclina-os - imparcial, uniforme e permanentemente - a todos os atos e deveres de santa obediência. Mas mesmo nestes que estão assim constantemente inclinados e dispostos a todos os atos de uma vida espiritual celestial, ainda permanecem disposições contrárias e inclinações também. Ainda existem inclinações e disposições para o pecado, procedendo dos resquícios de um princípio habitual contrário. A Escritura chama isso de "carne", "luxúria", "o pecado que habita em nós" ou o "corpo da morte". Isso é o que ainda permanece nos crentes, daquela depravação viciosa e corrompida de nossa natureza que veio sobre nós pela perda da imagem de Deus, e que dispõe toda a alma a tudo o que é mau. Isso ainda continua nos crentes, inclinando-os ao mal, e para tudo que é mal, de acordo com o poder e eficácia que resta em vários graus. E assim sucede, para que possam estar mortificando continuamente estes resquícios de pecado, como prova do Seu amor e obediência a Deus.

 

O salmista diz no Salmo 45:1: “De boas palavras transborda o meu coração: ao Rei consagro o que compuz; a minha língua é como a pena de habilidoso escritor.”.

Ele estava meditando em coisas espirituais, nas coisas relativas à pessoa e reino de Cristo.

Consequentemente “o seu coração transbordou para cima (como está no original) uma boa composição.”. Está insinuada uma fonte de águas vivas: de sua própria vida fluem rios de águas vivas (Jo 4.10,12). Assim se dá com aqueles que são espirituais, que seguem a inclinação do Espírito e que nada dispõem para a carne. Há uma abundância viva de coisas espirituais nas suas mentes e afetos, que os eleva para cima em pensamentos santos.

O Espírito, com as suas graças residindo no coração de um crente, é um rio de água viva.

Assim como do próprio coração do homem fluem continuamente maus pensamentos, oriundos de sua natureza terrena, de igual modo, da presença do Espírito Santo em nós, pode fluir também agora, continuamente, pensamentos santos e bons. Eles brotarão incessantemente da nova natureza implantada nos crentes. Se eles andarem no Espírito, eles verão que fluirá neles estes pensamentos celestiais. A água viva que Jesus nos dá é de outra natureza. Não é água para ser mantida num poço ou numa cisterna, de onde deve ser retirada por nós; mas está dentro de nós como uma fonte eterna, que não pode secar e se tornar inútil.

 


 


 


 


 

Enviado por Silvio Dutra em 28/01/2022
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