Legado Puritano
Quando a Piedade Tinha o Poder
Áudios
Deus Requer Santificação aos Cristãos 78
Data: 05/04/2022
Créditos:
Texto: Silvio Dutra
Voz: Silvio Dutra

 

“Porque qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o seu próprio espírito, que nele está? Assim, também as coisas de Deus, ninguém as conhece, senão o Espírito de Deus. Ora, nós não temos recebido o espírito do mundo, e sim o Espírito que vem de Deus, para que conheçamos o que por Deus nos foi dado gratuitamente. Disto também falamos, não em palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas ensinadas pelo Espírito, conferindo coisas espirituais com espirituais. Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. Porém o homem espiritual julga todas as coisas, mas ele mesmo não é julgado por ninguém. Pois quem conheceu a mente do Senhor, que o possa instruir? Nós, porém, temos a mente de Cristo.“ (I Coríntios 1.11-16)

 

Este poder de Deus na mente consiste em uma luz espiritual e capacidade de discernir coisas espirituais de uma maneira espiritual; das quais os homens no estado de natureza são totalmente desprovidos, 1 Cor 2.13,14, porque tal estado é de morte espiritual da qual ninguém pode ser livrado para a vida, senão somente pela fé em Jesus. Nem os loucos errarão o caminho para o céu e para a vida, quando eles têm uma experiência de salvação com Cristo, e são salvos ainda que em alguns deles permaneça a enfermidade mental que possuíam antes da conversão. 

Vivemos em uma época em que há novas e muitas enfermidades da mente e da alma, das quais não se tem notícia de terem sido assim abundantes no passado. Mas, nem por isso, ficam impedidos de serem alcançados muitos destes pela graça salvadora de Jesus, pois a enfermidade em si mesma não é pecaminosa. 

E se tal quadro é abundante em nossos dias como uma consequência das visitações em juízo da parte de Deus em relação à multipliçação da iniquidade por conta do pecado original, há nele uma advertência de que o salário do pecado é de fato a morte, e que o Senhor chama todas as pessoas a um viver responsável perante Ele quanto ao uso que fazem principalmente do corpo, não como instrumento de injustiça e do pecado, mas buscando apresentá-lo como um templo purificado pelo sangue de Jesus para a habitação do Espírito Santo.

Há uma guerra em que estamos envolvidos desde o nosso nascimento, e que consiste em muitas batalhas contra o pecado, o diabo e o mundo. E bem faremos se formos continuamente vigilantes contra tais adversários malignos, para que não sejamos supreendidos com ciladas que podem nos levar a perder muitas batalhas. Mas, para que sejamos mais do que vencedores por meio de Jesus, recebemos a habitação do Espírito Santo, para que andemos em todo o tempo sob a sua direção, instrução e poder.

O Espírito Santo, na primeira comunicação do princípio da vida espiritual e da santidade, "brilha em nossos corações, para nos dar o conhecimento da glória de Deus na face de Jesus Cristo”, 2 Cor 4.6. Na verdade, este fortalecimento da mente, a iluminação salvadora, é o ato mais eminente de nossa santificação. Sem isso, existe um véu de medo e escravidão sobre nós, que não podemos ver nas coisas espirituais. Mas "onde o Espírito do Senhor está", onde ele vem com sua graça santificadora, "há liberdade; e, assim, "todos nós, com o rosto aberto contemplando como em um espelho a glória do Senhor, somos transformados na mesma imagem de glória em glória”, 2 Cor 3.17,18; Ef 1.17,18. Por esta razão, todos os crentes santificados têm uma habilidade e poder na mente renovada e compreensão, para ver, saber, discernir e receber coisas espirituais, os mistérios do evangelho e a mente de Cristo, em uma devida maneira espiritual. É verdade, nem todos que acreditam têm esse poder e habilidade no mesmo grau; mas cada um deles tem poder suficiente para discernir o que diz respeito necessariamente a si próprios e aos seus deveres. Alguns deles parecem, de fato, ter muito baixo conhecimento; e em comparação com outros, eles parecem muito ignorantes; pois há diferentes graus nessas coisas, Ef 4.7. Alguns deles são mantidos nessa condição por sua própria negligência e preguiça; eles não usam ou melhoram, como devem, esses meios de crescer na graça e no conhecimento de Jesus Cristo que Deus prescreve a eles, como se vê em Heb 6.1-6. Mas todos os que são verdadeiramente santificados e que receberam o menor grau de graça salvadora, têm luz suficiente para entender as coisas espirituais do evangelho de uma maneira espiritual.

Quando os mistérios do evangelho são pregados para os crentes, alguns deles podem ser declarados de tal forma que aqueles de menor capacidade e habilidade podem não ser capazes de compreender corretamente a doutrina dessas coisas. Porém, ainda é preciso ser proposto desta forma para a edificação daqueles que cresceram em conhecimento. No entanto, ninguém existe, nem o menor deles, que não tenha uma visão espiritual das próprias coisas que são pretendidas, na medida em que são necessárias à sua fé e obediência em sua condição atual. A Escritura testifica tão abundantemente isso para torná-lo inquestionável. Pois "recebemos o Espírito que é de Deus, para que possamos conhecer as coisas que nos são dadas gratuitamente por Deus," 1 Cor 2.12. Em virtude do que recebemos, sabemos ou discernimos as coisas espirituais; assim, "temos a mente de Cristo", versículo 16. Esta é a substância daquele duplo testemunho em 1 Jo 2.20, 27. Esta unção permanente não é outra do que aquela graça inerente habitual que pedimos. E por essa graça, porque é uma luz sagrada em nossa mente, "sabemos todas as coisas"; é o entendimento que nos é dado, para "conhecer aquele que é verdadeiro", 1 Jo 5.20. Somente, é seu dever se esforçar continuamente para melhorar e ampliar a luz que eles têm, no exercício diário do poder espiritual que receberam, e no uso dos meios de graça (oração, prática da Palavra etc), Heb 5.14. Isto é como um tipo de instinto novo que é implantado naquele que se converte a Cristo, pois, tão logo seja instruído e movido pelo Espírito Santo, mediante a Palavra, sobre qual seja o seu dever, como por exemplo o de perdoar seus ofensores, ele se inclinará para isto, ainda que não de forma perfeita, pois perdoar faz parte da mente de Cristo que se encontra no crente pela habitação do Espírito, o qual sempre lhe instruirá sobre o caminho que deve seguir, caso não tenha sido apagado por pecados praticados e não confessados.

Os pensamentos espirituais e celestiais não podem surgir nas mentes dos homens por meios e ocasiões externos. A finalidade determinada por Deus para tais pensamentos é a de produzir uma disposição e afetos santificados prevalecentes. Os próprios pensamentos em si mesmos não provam portanto, que alguém é espiritual. Quando você cultiva e aduba sua terra, e se ela produzir colheitas abundantes, isto é uma evidência que a terra é boa e fértil; mas se ao cultivar a terra, você colocar adubo suficiente nela, e assim mesmo a produção não melhorar, você dirá que a terra é estéril. Ocorre o mesmo com o coração dos homens. O coração estéril pode ter pensamentos espirituais pela força da convicção pessoal própria, mas não produzirá o fruto espiritual esperado por Deus, porque a terra do coração é estéril. Mas o coração fértil, a saber de um crente em comunhão com o Senhor, terá pensamentos espirituais que fluem do seu próprio interior, pela presença do Espírito, que produz em nós pensamentos e desejos santos. A terra fértil do coração que recebe as chuvas da graça do Espírito e produz erva útil é abençoada por Deus, mas aquela que produz espinhos e abrolhos é rejeitada por Deus e está perto da maldição e o seu fim é ser queimada, como lemos em Heb 6.7,8.

A base da mente espiritual nos afetos - A natureza e uso deles - Os modos e meios usados pelo próprio Deus para chamar os homens do mundo através dos seus afetos.

Este estudo pode ser reduzido a três pontos principais:

1º - A disposição e inclinação habitual da mente em seus afetos.

2º - O exercício habitual da mente em seus pensamentos, meditações, e desejos, sobre coisas divinas.

3º - O desvanecimento da mente neste prazer achado em pensar e meditar nas coisas espirituais. O prazer da mente do homem espiritual está nas coisas do Espírito de Deus, e a mente do homem natural não tem nenhum prazer nestas coisas e nem mesmo pode ter (Rom 8.5,7).

É por meio dos afetos espirituais que a alma adere às coisas espirituais. A grande competição do céu e da terra é sobre os afetos do homem. Quando Deus diz “Filho meu, dá-me o teu coração” (Pv 23.26), são os nossos afetos que ele está pedindo.

Ele não receberá nada de nós sem eles. O maior e mais caro sacrifício não será aceito se nele não estiver o nosso coração. Sobre isso o apóstolo nos informa que anda que desse todos os seus bens aos pobres, mas sem ter sido movid0 por Deus e por amor a Ele, nada disso lhe aproveitaria.

Todos os modos e métodos da dispensação da vontade do Senhor pela Sua palavra, todos os propósitos da Sua graça eficaz, apontam para este fim, isto é, recuperar os afetos do homem para Ele. Em outras palavras, Deus quer ser amado, estimado, adorado, louvado, por aqueles que têm sido transformados em seus filhos. Assim ele se expressou em sua Palavra, em Deut 10.12:

“Agora, pois, ó Israel, que é que o Senhor requer de ti? Não é que temas o Senhor teu Deus, andes em todos os seus caminhos, e o ames, e sirvas ao Senhor teu Deus de todo o teu coração e de toda a tua alma?”.

E é com o mesmo propósito que Ele declara isto pela palavra da Sua graça em Deut 30.6:

“O Senhor teu Deus circuncidará o teu coração, e o coração de tua descendência, para amares ao Senhor teu Deus de todo o coração e de toda a tua alma, para que vivas.”.

Por isso o juízo será certo sobre todo aquele que recusar o Senhor (Pv 1.24-31), porque todos os artifícios do mundo, todas as grandes promessas que faz, todas as tentações de Satanás, não têm nenhum outro fim senão o de atrair e manter os afetos dos homens para Deus. E se o mundo é preferido antes de Deus, quanto a ganhar os nossos afetos, nós pereceremos justamente com o mundo por toda a eternidade, e aquele que tiver rejeitado a Deus será rejeitado por Ele.

Nossos afetos estão em tudo o que somos. Eles são tudo o que nós temos que dar. São o único poder de nossas almas por meio do qual nós podemos nos dar de nós mesmos. Por nossos afetos nós podemos dar o que nós somos e temos. Por este meio nós damos nossos corações a Deus, como ele requer de nós.

Até o que nós fazemos para outros, tudo que é bom, valioso, ou louvável, procede obrigatoriamente do afeto com que nós o fazemos. Fazer qualquer coisa em favor dos outros sem um afeto que anime nossas ações, é na verdade um desprezo deles; porque nós os julgamos realmente desmerecedores de que deveríamos fazer qualquer coisa por eles. Dar ao pobre sem piedade ou compaixão, prover os desejos dos santos sem amor ou bondade, com outras ações e deveres de igual natureza, são coisas de nenhum valor, coisas que não nos recomendam a Deus nem aos homens. Tudo aquilo que nós fazemos no serviço de Deus, qualquer dever que nós executamos sob o comando dele, tudo que nós sofremos por causa do nome dele, se não proceder do interior de nossas almas e de nosso afeto por Ele, é menosprezado por Ele. Como se "ainda que alguém desse todos os bens da sua casa pelo amor, seria de todo desprezado." (Cantares 8.7).

Não será comprado com riquezas; assim se um homem desse a Deus tudo o que há em sua casa sem amor, seria menosprezado de certa forma. Por outro lado, porém nós podemos ser diligentes, industriosos, e zelosos, quanto às coisas deste mundo, contudo sem que elas possuam os nossos afetos no lugar de Deus. Nós não somos do mundo, nós não pertencemos a ele.

Considere-se no entanto, que por maiores que sejam os nossos afetos pelo Senhor, continua uma verdade que somos falhos em muitas coisas, mas destas seremos perdoados desde que as reconheçamos e as confessemos, e isto por amor ao Senhor e à Sua honra e glória, pois o "Senhor é cheio de terna misericórdia e compassivo" (Tg 5.11), conforme demonstrou no perdão dado à prostituta na casa do fariseu Simão, sob o argumento de que seus muitos pecados haviam sido perdoados porque ela muito amou." *Lc 7.47). A fé dela em Jesus a salvou. Nada é dito de que tivesse pedido perdão verbalmente ao Senhor por seus muitos pecados, nenhuma formalidade religiosa foi cumprida, mas sua atitude e choro denotavam o seu sincero arrependimento, e assim, Ele a perdoou instantaneamente.

Enviado por Silvio Dutra em 28/01/2022
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