![]() O Futuro de Israel Revelado por Deus a Abraão - Gênesis 18
“1 Depois apareceu o Senhor a Abraão junto aos carvalhos de Manre, estando ele sentado à porta da tenda, no maior calor do dia. 2 Levantando Abraão os olhos, olhou e eis três homens de pé em frente dele. Quando os viu, correu da porta da tenda ao seu encontro, e prostrou-se em terra, 3 e disse: Meu Senhor, se agora tenho achado graça aos teus olhos, rogo-te que não passes de teu servo. 4 Eia, traga-se um pouco d'água, e lavai os pés e recostai-vos debaixo da árvore; 5 e trarei um bocado de pão; refazei as vossas forças, e depois passareis adiante; porquanto por isso chegastes ate o vosso servo. Responderam-lhe: Faze assim como disseste. 6 Abraão, pois, apressou-se em ir ter com Sara na tenda, e disse-lhe: Amassa depressa três medidas de flor de farinha e faze bolos. 7 Em seguida correu ao gado, apanhou um bezerro tenro e bom e deu-o ao criado, que se apressou em prepará-lo. 8 Então tomou queijo fresco, e leite, e o bezerro que mandara preparar, e pôs tudo diante deles, ficando em pé ao lado deles debaixo da árvore, enquanto comiam. 9 Perguntaram-lhe eles: Onde está Sara, tua mulher? Ele respondeu: Está ali na tenda. 10 E um deles lhe disse: certamente tornarei a ti no ano vindouro; e eis que Sara tua mulher terá um filho. E Sara estava escutando à porta da tenda, que estava atrás dele. 11 Ora, Abraão e Sara eram já velhos, e avançados em idade; e a Sara havia cessado o incômodo das mulheres. 12 Sara então riu-se consigo, dizendo: Terei ainda deleite depois de haver envelhecido, sendo também o meu senhor já velho? 13 Perguntou o Senhor a Abraão: Por que se riu Sara, dizendo: É verdade que eu, que sou velha, darei à luz um filho? 14 Há, porventura, alguma coisa difícil ao Senhor? Ao tempo determinado, no ano vindouro, tornarei a ti, e Sara terá um filho. 15 Então Sara negou, dizendo: Não me ri; porquanto ela teve medo. Ao que ele respondeu: Não é assim; porque te riste. 16 E levantaram-se aqueles homens dali e olharam para a banda de Sodoma; e Abraão ia com eles, para os encaminhar. 17 E disse o Senhor: Ocultarei eu a Abraão o que faço, 18 visto que Abraão certamente virá a ser uma grande e poderosa nação, e por meio dele serão benditas todas as nações da terra? 19 Porque eu o tenho escolhido, a fim de que ele ordene a seus filhos e a sua casa depois dele, para que guardem o caminho do Senhor, para praticarem retidão e justiça; a fim de que o Senhor faça vir sobre Abraão o que a respeito dele tem falado. 20 Disse mais o Senhor: Porquanto o clamor de Sodoma e Gomorra se tem multiplicado, e porquanto o seu pecado se tem agravado muito, 21 descerei agora, e verei se em tudo têm praticado segundo o seu clamor, que a mim tem chegado; e se não, sabê-lo-ei. 22 Então os homens, virando os seus rostos dali, foram-se em direção a Sodoma; mas Abraão ficou ainda em pé diante do Senhor. 23 E chegando-se Abraão, disse: Destruirás também o justo com o ímpio? 24 Se porventura houver cinqüenta justos na cidade, destruirás e não pouparás o lugar por causa dos cinqüenta justos que ali estão? 25 Longe de ti que faças tal coisa, que mates o justo com o ímpio, de modo que o justo seja como o ímpio; esteja isto longe de ti. Não fará justiça o juiz de toda a terra? 26 Então disse o Senhor: Se eu achar em Sodoma cinqüenta justos dentro da cidade, pouparei o lugar todo por causa deles. 27 Tornou-lhe Abraão, dizendo: Eis que agora me atrevi a falar ao Senhor, ainda que sou pó e cinza. 26 Se porventura de cinqüenta justos faltarem cinco, destruirás toda a cidade por causa dos cinco? Respondeu ele: Não a destruirei, se eu achar ali quarenta e cinco. 29 Continuou Abraão ainda a falar-lhe, e disse: Se porventura se acharem ali quarenta? Mais uma vez assentiu: Por causa dos quarenta não o farei. 30 Disse Abraão: Ora, não se ire o Senhor, se eu ainda falar. Se porventura se acharem ali trinta? De novo assentiu: Não o farei, se achar ali trinta. 31 Tornou Abraão: Eis que outra vez me a atrevi a falar ao Senhor. Se porventura se acharem ali vinte? Respondeu-lhe: Por causa dos vinte não a destruirei. 32 Disse ainda Abraão: Ora, não se ire o Senhor, pois só mais esta vez falarei. Se porventura se acharem ali dez? Ainda assentiu o Senhor: Por causa dos dez não a destruirei. 33 E foi-se o Senhor, logo que acabou de falar com Abraão; e Abraão voltou para o seu lugar.” Algumas pequenas dificuldades que possam ser levantadas quanto à identificação das três pessoas que apareceram a Abraão, podem ser resolvidas facilmente pelo próprio texto e contexto, pois em Gênesis 18.2 lemos que eram três homens; e que os três homens se levantaram de onde estavam com Abraão e olharam para Sodoma, tendo Abraão ido com eles para os encaminhar (18.16). Sempre é o Senhor que está falando com Abraão e com Sara no contexto destes três homens que lhe apareceram nos carvalhais de Manre. Em 18.22 se diz que aqueles homens partiram dali e partiram para Sodoma, tendo Abraão permanecido na presença do Senhor. Em 18.33 lemos que tendo cessado de falar a Abraão, o Senhor se retirou e Abraão voltou para o seu lugar. Logo no início do capítulo seguinte, se diz que ao anoitecer vieram os dois anjos a Sodoma. Ora, o que podemos inferir disto senão que numa teofania o Senhor apareceu a Abraão acompanhado de dois anjos, todos eles em forma humana, e por isso se diz no texto: “três homens”. Entretanto, fica claro que um deles lidera o diálogo com Abraão, e certamente é o Senhor numa teofania, pois permanecera com Abraão, enquanto se diz em 18.22 que aqueles homens partiram para Sodoma, e vemos claramente em 19.1 a citação de que eram dois anjos que haviam se dirigido para lá, e não todos os três que haviam aparecido a Abraão. Então um deles permaneceu com ele, e este era sem dúvida o Senhor. Assim, este capítulo de Gênesis é um capítulo maravilhoso, pois nele nós vemos a aliança sendo ratificada na terra com a presença do próprio Deus, acompanhado de dois anjos. Isto marcou o caráter solene daquela grande aliança que já era como que realizada aos olhos de Deus, e aguardava somente o seu desenrolar, e isto começaria com o nascimento de Isaque dali a um ano. Aquele pacto foi celebrado com um banquete que Abraão mandou preparar. Depois de terem comido o Senhor perguntou por Sara, e Abraão lhe disse que ela estava no interior da tenda. A promessa de que daria à luz a um filho dali a um ano foi reafirmada e tendo Sara ouvido a mesma, riu por pensar como poderia gerar um filho, tendo já cessado o costume das mulheres, referindo-se certamente à menstruação. A isto o Senhor respondeu formulando uma pergunta: “Acaso para Deus há cousa demasiadamente difícil?” (18.14). E afirmou: “Daqui a um ano, neste mesmo tempo, voltarei a ti, e Sara terá um filho.” Não há nenhuma dúvida que era o Senhor falando porque ninguém poderia falar sobre capacitar alguém a gerar um filho como Ele, e Sara estava dentro da barraca, quando pela sua Onisciência pôde perceber estando do lado de fora que ela ria, e dizia que estava velha demais para que pudesse gerar uma criança. A pergunta onde está Sara, não significa que Deus não soubesse onde ela estava, mas queria levar Abraão a entender que a participação dela naquela aliança seria importante, pois seria a mãe daquele através de cuja descendência o Messias seria trazido ao mundo. A pergunta aqui tem o mesmo sentido da que foi feita a Adão: “Onde estás” quando se escondeu entre as árvores do jardim do Éden, depois de ter pecado. Deus sabia onde ele estava, mas queria que ele mesmo reconhecesse e dissesse o estado em que se encontrava. Aqui, a referência a Sara tinha também o propósito de ajudá-la a ficar firme na fé na promessa, porque lhe foi revelado coisas que estavam ocultas à vista natural de quem lhe dirigiu a palavra, e ela saberia que estava tratando com alguém sobrenatural que não estava em nada, limitado em Seu poder. Temos vinculado neste mesmo capítulo a promessa da Nova Aliança solenemente ratificada, e os juízos de Deus sobre o pecado, com a sentença de destruição das cidades de Sodoma e Gomorra. Cristo é aroma de vida para a vida nos que se salvam, e cheiro de morte para a morte nos que se perdem. A Nova Aliança não é apenas promessa de salvação para os pecadores, como também promessa de condenação para aqueles que não se arrependerem de seus pecados e se converterem a Deus. O evangelho é boa nova para os homens de boa vontade, mas aos que têm uma má vontade empedernida que se recusa a obedecer a Deus não é nenhuma boa nova, pois é exatamente pela rejeição da graça que está sendo oferecida no evangelho que serão condenados à perdição eterna. Depois de ter renovado a aliança feita com Abraão, nós vemos na porção de Gên 18.16-21, um registro muito importante relativo ao modo como Deus revelou a Abraão a destruição que faria das cidades de Sodoma e Gomorra. Nós vemos que o motivo da aliança com Abraão tinha principalmente em vista livrar do juízo a que está sujeito o pecador, em razão de andar desordenadamente em relação à vontade de Deus. Em Abraão (18.17), isto é, no seu descendente que é Cristo (Gál 3.16) seriam benditas todas as nações da terra, e Deus havia escolhido Abraão para que ordenasse a seus filhos e a sua casa depois dele, a fim de que guardassem o caminho do Senhor, e praticassem a justiça e o juízo (18.18,19). Seria exatamente por este motivo que a descendência espiritual de Abraão jamais seria sujeita ao julgamento de condenação motivado pela ira de Deus contra o pecado, assim como Ele o demonstraria nas cidades de Sodoma e Gomorra. A destruição daquelas cidades seria um reforço, um bom motivo, para que Abraão se empenhasse em andar em santidade na presença de Deus, e que também o ensinasse a todos os seus descendentes. Abraão fixou muito rápido a lição, pois entendeu que o justo é preservado enquanto o ímpio é destruído, e daí foi que perguntou ao Senhor o que encontramos em Gên 18.22-33, pensando certamente em livrar a seu sobrinho Ló da destruição iminente. “Destruirás o justo com o ímpio?” Foi a primeira pergunta feita por Abraão. E, a complementou indagando se porventura houvesse cinquenta justos na cidade, se Deus a destruiria ainda assim e não pouparia o lugar por amor dos cinquenta justos. Ele se animou a fazer uma afirmação sobre a justiça de Deus afirmando o que se lê no verso 25: “Longe de ti o fazeres tal cousa, matares o justo com o ímpio, como se o justo fosse igual ao ímpio; longe de ti. Não fará justiça o Juiz de toda a terra?” O Senhor respondeu que, caso houvesse os cinquenta justos dentro da cidade, ele pouparia toda a cidade por amor deles. Abraão foi descendo o número de justos até dez, e Deus afirmou que a pouparia por amor dos dez. A cidade não seria poupada porque o único justo que lá havia era Ló, e este seria resgatado por Deus, antes que ocorresse a destruição. Evidencia-se neste diálogo o grande amor de Abraão não somente por Ló, mas pela justiça de Deus. Ele sabia que um viver abençoado estava vinculado a um viver em justiça, não segundo meramente os princípios dos homens, mas, sobretudo segundo os princípios estabelecidos por Deus. A intercessão dele em favor de Ló revela que era alguém que se interessava em que a justiça prevalecesse com a preservação do justo. Ao mesmo tempo Abraão revela um sentimento de compaixão e longanimidade pelos pecadores, pois de certo modo intercedeu em favor deles, para que fossem poupados por Deus, em razão do testemunho de vida e intercessão dos justos em favor deles, não para que continuassem na prática do pecado, mas para que encontrassem oportunidade para o arrependimento. Abraão foi humilde em sua oração intercessória, pois não se declarou merecedor de ser ouvido, antes disse que era pó e cinza (18.27). Foi também importuno, pois ele insistiu no assunto com Deus e lhe apresentou argumentos consistentes. Já destacamos o amor e a misericórdia que moveram Abraão àquela oração, pois ele pensou nas várias pessoas que poderiam ser destruídas na cidade juntamente com os ímpios. Entretanto, não se sentiu estimulado a prosseguir quando o Senhor lhe revelou que nem sequer dez justos havia naquela cidade. Quando o Senhor acabou de falar e o deixou, Abraão foi para o seu lugar com a certeza de que o justo Ló não seria condenado juntamente com os ímpios, porque ainda que toda a cidade fosse destruída, Ele entendeu pelo diálogo que tivera com o Senhor que Ele de fato não destrói em seus juízos o justo juntamente com o ímpio, pois como afirma Pedro, ilustrando a afirmação com a própria história de Ló, “o Senhor sabe livrar da provação os piedosos e reservar, sob castigo, os injustos para o dia de juízo,” (II Pe 2.9). Ainda que algum justo venha a morrer juntamente com algum ímpio em razão de algum juízo vindo da parte de Deus sobre a impiedade dos homens, o justo não terá o mesmo fim do ímpio, porque ele viverá para sempre por causa da sua fé. Assim, ainda que ele venha a sofrer juntamente com o ímpio, o seu fim não será de modo algum igual ao do ímpio, porque Deus é perfeitamente justo e é perfeito em Seus juízos. Silvio Dutra Alves
Enviado por Silvio Dutra Alves em 07/11/2012
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