Legado Puritano
Quando a Piedade Tinha o Poder
Textos
 

Como Seguir a Santificação
Sem a qual Ninguém
Verá o Senhor Jesus?

(Hb 12: 14)
[6]

 
Quando Deus nos salvou para sermos à imagem e semelhança de nosso Senhor Jesus Cristo, Ele o fez, sobretudo para que fôssemos santos, assim como Ele é santo.
Foi para o propósito de sermos santificados, que Jesus realizou toda a obra de salvação em nosso favor, removendo a nossa culpa e nos dando um novo nascimento do Espírito Santo. Ele fez uma aliança com Deus Pai de responder por todas as coisas referentes à nossa redenção, santificação e glorificação.
 
Nesta aliança de Deus Pai com Deus Filho ficou acordado, que seríamos salvos nas condições do evangelho, segundo a justiça que se revela no evangelho, de fé em fé; de maneira que jamais fôssemos rejeitados por Deus, uma vez tendo sido tornados Seus filhos amados, por quaisquer transgressões eventuais que viéssemos ainda a cometer depois da nossa conversão.
Daí serem tão claros e diretos os termos da nova aliança:
“Pois perdoarei as suas iniquidades e dos seus pecados jamais me lembrarei.” [Jr 31: 34]
 
“18 Quem, ó Deus, é semelhante a ti, que perdoas a iniquidade e te esqueces da transgressão do restante da tua herança? O SENHOR não retém a sua ira para sempre, porque tem prazer na misericórdia.
19 Tornará a ter compaixão de nós; pisará aos pés as nossas iniquidades e lançará todos os nossos pecados nas profundezas do mar.”  [Mq 7: 18,19]

É por Deus ter-se determinado ser misericordioso para com nossas faltas, e perdoá-las por causa do sacrifício e sacerdócio de Jesus, que podemos nos aproximar dEle para sermos continuamente santificados, sem deixarmos de ser aceitos por causa da justiça da lei, uma vez que não é pela justiça da lei que somos salvos, mas pela justiça da fé.
 
Não somos aceitos na base das nossas obras da lei, nem mesmo das obras da fé, mas por causa da justiça de Jesus que nos foi imputada, para que se abrisse para nós, a porta pela qual entramos para seguir em novidade de vida, pelo caminho da santificação, que consiste na justiça de Cristo, que é aplicada em nosso viver pela operação do Espírito Santo, realizando a obra que se refere, tanto à mortificação dos nossos pecados, quanto ao amadurecimento de todas as graças que existem na nova criatura, como fé, amor, paz, bondade, alegria, mansidão, longanimidade, etc.
 
É sob este fundamento que o apóstolo afirma, que já nenhuma condenação há para aqueles que estão em Cristo Jesus, porque são justificados por Deus, não pelas boas obras perfeitas que pudessem praticar, mas pela graça mediante a fé, e pela certeza da esperança de que serão perfeitamente santos no porvir.
Assim, não tem fundamento e cai por terra, todo o tipo de acusação que é levantado contra o crente.
Quem nunca ouviu um: “olha o que ele fez, e depois diz que é salvo”?
Ou um:
“depois diz que é crente, e que vantagem tem sobre mim, se ele também erra?

Esta é de fato, uma forma muito incorreta de se considerar a real condição de um crente diante de Deus, ou seja, pelas eventuais falhas que ele possa apresentar, uma vez que sua salvação é alicerçada nos termos da aliança feita entre o Pai e o Filho de se mostrar perdoador, longânimo, e esquecer todas as transgressões de Seus filhos, que eles porventura cometam por se encontrarem ainda aqui embaixo, sujeitos à ação dos resquícios do pecado residente na velha natureza, e das investidas das tentações de Satanás sobre eles.
Além disso deve ser considerado, que como tudo deve concorrer para a glória de Deus em Cristo, é evidente que é muito maior a glória da Sua misericórdia e graça, quando grandes pecados são perdoados, ainda que não se deve considerar que isto deva servir de estímulo com o raciocínio errado, de que então deveríamos pecar mais para que Deus seja mais glorificado ao nos perdoar, porque é certo que, quando isto é feito intencionalmente, Ele nos submeterá a dolorosos castigos e correções.
 
A justificação e a regeneração que nos abre a porta de entrada para o céu, são pela graça e mediante a fé; de igual modo, também é pela fé que se opera a nossa santificação.
Jesus tem se comprometido junto ao Pai em nos santificar progressivamente, a par dos graus diferentes de santificação de cada um dos Seus filhos, e Ele completará a obra iniciada neles, conforme afirmado em promessa nas Escrituras.
 
A Bíblia é muito clara quanto a isso, e nos mostra de capa a capa, que Deus é santo, e somos chamados a sermos santos, assim como Ele é santo.
O amor real a Deus sempre nos moverá a buscarmos a santificação, sabendo que esta passa primeiro pela mortificação do pecado, e depois por nosso empenho em seu serviço, buscando o seu reino em primeiro lugar.
Agora, este perdão e esquecimento de nossas iniquidades nos termos do evangelho, não significa que temos recebido da parte de Deus um salvo conduto para continuarmos pecando, em face do referido perdão, uma vez que a Palavra é bastante clara quanto ao fato de que uma vez tendo sido reconciliados com Deus, os crentes o foram, para andar no Espírito, em novidade e santidade de vida, de modo que ainda que livrados da culpa e condenação eternas, todavia serão corrigidos se não atenderem às condições da aliança, de andarem humildemente diante do Senhor, confessando e abandonando seus pecados.

O sangue do sacrifício sempre se mostrará eficaz para aqueles que se arrependem, e caminham em temor diante de Deus, de forma que somos alertados devidamente quanto a isto nas seguintes palavras de Hebreus 10: 16-31:
 
“16 Esta é a aliança que farei com eles, depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei no seu coração as minhas leis e sobre a sua mente as inscreverei,
17 acrescenta: Também de nenhum modo me lembrarei dos seus pecados e das suas iniquidades, para sempre.
18 Ora, onde há remissão destes, já não há oferta pelo pecado.
19 Tendo, pois, irmãos, intrepidez para entrar no Santo dos Santos, pelo sangue de Jesus,
20 pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou pelo véu, isto é, pela sua carne,
21 e tendo grande sacerdote sobre a casa de Deus,
22 aproximemo-nos, com sincero coração, em plena certeza de fé, tendo o coração purificado de má consciência e lavado o corpo com água pura.
23 Guardemos firme a confissão da esperança, sem vacilar, pois quem fez a promessa é fiel.
24 Consideremo-nos também uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras.
25 Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima.
26 Porque, se vivermos deliberadamente em pecado, depois de termos recebido o pleno conhecimento da verdade, já não resta sacrifício pelos pecados;
27 pelo contrário, certa expectação horrível de juízo e fogo vingador prestes a consumir os adversários.
28 Sem misericórdia morre pelo depoimento de duas ou três testemunhas quem tiver rejeitado a lei de Moisés.
29 De quanto mais severo castigo julgais vós será considerado digno aquele que calcou aos pés o Filho de Deus, e profanou o sangue da aliança com o qual foi santificado, e ultrajou o Espírito da graça?
30 Ora, nós conhecemos aquele que disse: A mim pertence a vingança; eu retribuirei. E outra vez: O Senhor julgará o seu povo.
31 Horrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo.”
Silvio Dutra
Enviado por Silvio Dutra em 17/09/2021
Alterado em 17/09/2021
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