Legado Puritano
Quando a Piedade Tinha o Poder
Textos

3. Em tempos de tentação, este engano do pecado argumentará expressamente para o pecado da graça do evangelho; pelo menos, pedirá estas duas coisas:

(1.) Que não há necessidade de uma luta tão tenaz e severa contra isto, pois é vencido pelo princípio da nova criatura. Se não pode desviar a alma ou a mente totalmente de atender às tentações que se opõem a elas, ainda assim se esforçará para tirá-las pela maneira do seu atendimento. Eles não precisam usar essa diligência que, em primeiro lugar, a alma apreende ser necessária.

(2.) Ele dará um alívio quanto ao evento do pecado, - que não se volte para a ruína ou a destruição da alma, porque é, será, ou pode ser, indultado pela graça do evangelho. E isso é verdade; este é o grande e único alívio da alma contra o pecado, a culpa que já se contraiu, é o abençoado e único remédio para uma alma culpada. Mas quando é implorado e lembrado pelo engano do pecado em conformidade com a tentação ao pecado, então é veneno; o veneno é misturado em cada gota deste bálsamo, para o perigo, senão a morte, da alma. E este é o primeiro caminho pelo qual o engano do pecado extrai a mente de um atendimento devido a essa sensação de sua vileza, que sozinho é capaz de mantê-la naquele quadro humilde e autoaborrecedor que é aceitável a Deus. Isso torna a mente descuidada, como se seu trabalho fosse desnecessário, por causa da abundante graça; que sendo mal entendida, o conduz a tal negligência.

[2.] O pecado se aproveita para trabalhar por seu engano, nesta questão de tirar a mente de uma sensação devida, do estado e condição dos homens no mundo. Devo dar apenas um exemplo de seu procedimento nesse tipo. Os homens, em seus dias da mocidade, têm naturalmente suas afeições mais rápidas, vigorosas e ativas, trabalhando mais sensivelmente neles, do que depois. Eles fazem, no que diz respeito ao seu funcionamento e operação uma decadência natural, e muitas coisas acontecem com os homens nas suas vidas que tiram a vantagem e a agilidade deles. Mas, à medida que os homens perdem em suas afeições, se eles não são dominados pela sensualidade ou pelas corrupções que estão no mundo através da luxúria, eles crescem e melhoram seus entendimentos, resoluções e julgamentos. Daí é que, se o que tinha lugar anteriormente em suas afeições não acontecesse em suas mentes e julgamentos, eles os perderiam completamente, eles não teriam mais lugar em suas almas. Assim, os homens não consideram, sim, eles desprezam completamente, aquelas coisas com que suas afeições foram marcadas com prazer e ganância na infância. Mas se elas são coisas que, de qualquer forma, são abrigadas em suas mentes e julgamentos, eles continuam com uma grande estima por elas, e se aproximam tão perto quanto possam quando suas afeições eram mais vigorosas; somente, por assim dizer, eles mudaram seu lugar na alma. É assim nas coisas espirituais.

Silvio Dutra
Enviado por Silvio Dutra em 08/03/2022
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