Legado Puritano
Quando a Piedade Tinha o Poder
Textos

 

 

 

Por que o Arrependimento é Necessário?

 

Para responder a esta pergunta é preciso retornar no tempo, antes mesmo da criação do primeiro homem, e mais precisamente no momento em que houve a rebelião de Satanás, e parte dos anjos no céu, pela qual foram expulsos e condenados de lá eternamente, sem qualquer possibilidade de retorno à condição inicial abençoada que tinham no princípio.

Eles não poderiam ser perdoados e restaurados, porque estavam no céu, e o fardo da obediência perfeita a Deus era algo insuportável para eles, e pretendiam se livrar dele para fazerem a própria vontade.

Tornaram-se inimigos de Deus e da santidade de uma forma definitiva e consciente, e dali em diante existiriam para tentar frustrar todos os projetos de Deus, e perturbar completamente a paz que existia no céu.

Tudo isto estava sendo feito contra a pessoa de Deus, que em Sua própria natureza e atributos não é somente perfeitamente justo e juiz, mas também amor, bondade, benignidade, misericórdia, longanimidade, paciência, perdão, etc.

 

Todavia, como os anjos não deram oportunidade que os atributos em relação à criação se manifestassem, quando esta necessita de restauração, e havendo este impulso na natureza divina de manifestá-los, foi planejada a criação do homem não no céu, e não na forma dos anjos, em que todos os que deveriam chegar à existência fossem formados ao mesmo tempo, já com todas as faculdades amadurecidas; mas na terra, sendo isto reservado apenas ao primeiro casal criado, de maneira que quando falhassem em sua obediência, tanto eles quanto todos aqueles que descenderiam a partir deles seriam encerrados sob a culpa e a morte que se seguiriam, conforme exigido pela justiça divina para aqueles que transgridem Suas leis.

 

Mas, no caso da humanidade, diferentemente dos anjos caídos, já que nem todos desejariam permanecer no estado de desobediência a Deus, conforme se deu com anjos, haveria então, esta manifestação do amor, bondade, misericórdia e perdão de Deus, dentre todos os demais atributos que comprovam que Sua natureza é, de fato restauradora daqueles que pretendem se corrigir e viver para Ele.

Acima de tudo isso deve ser considerado, que para demonstrar qual é  a profundidade do amor que habita em Sua natureza, Deus Pai decidiu suportar o sofrimento extremo de dar Seu próprio Filho Unigênito, para ser o único sacrifício aceitável para nos livrar da morte espiritual e eterna; morrendo e derramando Seu sangue para que o pecado fosse expiado, e Sua própria vida pudesse ser comunicada a nós, a fim de sermos coparticipantes da natureza divina.

 

E, quanto amor Deus Filho não demonstrou possuir em Si mesmo, ao aceitar ser enviado ao mundo de pecado pelo Pai, para morrer no lugar de pecadores.

Toda possível acusação contra o amor, bondade e misericórdia de Deus cai por terra, seja ela feita por Satanás, por demônios, ou homens ímpios.

Assim, chegamos ao ponto em que nossa pergunta inicial pode ser devidamente respondida:

O ARREPENDIMENTO é necessário, porque sem ele é impossível haver o retorno, ou conversão na direção de Deus, para que o transgressor seja perdoado e reconciliado com Ele.

"Andarão dois juntos, se não houver entre eles acordo"? Amós 3: 3

Deus é perfeitamente santo, então é necessário que o arrependimento seja para a santidade de vida com Deus.

Deus é amor, justiça e verdade, então o que se arrepende deve fazê-lo para viver em amor, justiça e verdade.

Assim, o arrependimento é para se retornar à condição planejada por Deus, desde o princípio, para todos os seus filhos, que é a de que sejam à Sua imagem, segundo a Sua semelhança.

A palavra "arrependimento" no original grego, do texto do Novo Testamento é "metanoia", que significa literalmente "mudança, transformação de mente", apontando assim, para mais além da sua essência, pois demonstra seu resultado, que é uma vida transformada de pecadora em santa; de desobediente a Deus, a obediente; de escravizada ao pecado, para a de liberta em Jesus.

 

 

 

 

Silvio Dutra Alves
Enviado por Silvio Dutra Alves em 11/02/2023
Alterado em 13/02/2024
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