![]() MENTE Do original grego νους nous No Novo Testamento possui os seguintes significados dentre outros: 1) mente, incluindo igualmente as faculdades de perceber e entender bem como a habilidade de sentir, julgar, determinar 1a) faculdades mentais, entendimento 1b) razão no sentido mais estreito, como a capacidade para verdade espiritual, os poderes superiores da alma, a faculdade de perceber as coisas divinas, de reconhecer a bondade e de odiar o mal 1c) o poder de ponderar e julgar sobriamente, calmamente e imparcialmente 2) um modo particular de pensar e julgar, isto é, pensamentos, sentimentos, propósitos, desejos. Em forma composta a citada palavra encontra-se em metanoia = arrependimento (transformação, mudança de mente). A mente humana não consiste na simples função cerebral, e é distinguida do espírito na Palavra de Deus, e independentemente das definições apresentadas no léxico de Strong conforme as destacamos no início de nosso texto, ela é o grande elemento definidor de nossa personalidade e é quem influencia preponderamente as nossas atitudes e inclinações, sobretudo em nossos padrões de pensamentos, sentimentos, emoções, julgamentos etc. Um fator muito importante é que ainda que na nossa conversão a Cristo, haja uma substancial transformação inicial de nossa mente pelo lavar regenerador e renovador do Espírito Santo (Tt 3.5), de maneira que ainda que nosso corpo, nossa alma e espírito não sejam mudados, permanecendo os mesmos, todavia pode e deve haver uma transformação de nosso padrão de julgamento, pensamento, etc, e da nossa própria personalidade, do padrão natural e mundano que tínhamos antes da conversão, para o santo que é segundo a Palavra de Deus, padrão este que deve aumentar com o progresso do processo da santificação do Espírito Santo, em melhoria e aumento em graus da renovação da nossa mente (Rom 12.1,2). A propósito, a palavra para renovação tanto nesta passagem de Romanos 12, quanto na de Tito 3.5, é a mesma no original grego, e aparece somente em ambas citações, de modo que inferimos que a transformação da mente a que o apóstolo alude em Romanos, é o resultado da operação do Espírito Santo em nós, para termos uma mentalidade celestial, espiritual e divina; não se tratando portanto de uma mudança simplesmente natural e segundo os padrões do mundo, que é também possível de ser realizada, sem que esta possua, qualquer interesse no propósito eterno divino em relação aos crentes. E nisto se encaixam todas as modificações comportamentais que ocorrem no mundo, sejam para melhor ou para pior, mesmo naqueles que se esforçam para se tornarem pessoas mais moralizadas e civilizadas, que ainda que isto represente para si mesmas ou para a sociedade, um ganho, todavia, em nada altera a condição e posição da pessoa diante de Deus, que afirma que sem santificação ninguém verá o Senhor. O cerne desta transformação deve ser portanto, segundo a vontade de Deus, de ímpio e carnal para santo e espiritual, conforme se revela expressa e claramente nas Escrituras. O Ensino de Jesus e dos apóstolos para os crentes é o de que devem ter a sua mente renovada pelo Espírito Santo, segundo a Palavra revelada nas Escristuras, e especialmente no Novo Testamento que é o fundamento da Nova Aliança feita no sangue de Jesus. Sem qualquer propósito acadêmico senão apenas espiritual, destacamos e comentamos a seguir algumas passagens bíblicas sobre o assunto em tela. 13 Porque os simples ouvidores da lei não são justos diante de Deus, mas os que praticam a lei hão de ser justificados. 14 Quando, pois, os gentios, que não têm lei, procedem, por natureza, de conformidade com a lei, não tendo lei, servem eles de lei para si mesmos. 15 Estes mostram a norma da lei gravada no seu coração, testemunhando-lhes também a consciência e os seus pensamentos, mutuamente acusando-se ou defendendo-se, Rom 2.13-15 O homem foi criado por Deus com a norma da lei natural gravada em seu coração, de modo a poder discernir o que é aprovado e o que não é aprovado por Deus em seus pensamentos e comportamento. Além disso, sua mente em que residem seus pensamentos e consciência agem como um tribunal que Deus instalou no próprio homem para poder discernir entre o que é bom e o que é mau, e o que é correto e o que é incorreto, de modo que alguém que não possua uma mente pervertida e disposta contra tudo o que é bom e justo, terá a capacidade de discernir entre o que é precioso e o que é vil, apesar de o simples conhecimento do que é legal não seja suficiente para que possa praticar o primeiro e rejeitar o segundo, pois a vontade que foi corrompida pelo pecado e que é carnal e não sujeita à vontade e lei de Deus, pode prevalecer sobre aquilo que a mente escolheu como bom e adequado, e levar a pessoa a praticar exatamente o oposto daquilo que pretendia fazer. É aqui que entra a nossa total dependência da operação da libertação do princípio do pecado que habita em nós, pelo poder de Jesus Cristo, pois se o Filho nos libertar, verdadeiramente seremos livres desta escravidão ao pecado que é superior à nossa própria vontade. Somente desejar praticar o bem não é necessário, pois precisamos do poder do Espírito Santo, por um andar nele, para que por ele, possamos mortiicar o pecado e agir segundo a nova criatura em Cristo que fomos feitos em nossa conversão inicial. Nossa mente, apesar de ter recebido uma grande transformação na conversão, sendo disposta para o que é de Deus e se opondo a tudo o que é desaprovado por Ele em sua Palavra, necessita, no entanto de uma continuada renovação pelo Espírito Santo, para que possamos nos aprofundar no conhecimento de qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus, para que possamos alcançar o padrão mental que seja segundo a mente de Cristo e não segundo o padrão que é segundo o mundo, que se baseia apenas no que é natural e pecaminoso, e não naquilo que é santo, espiritual, celestial e divino. 28 E, por haverem desprezado o conhecimento de Deus, o próprio Deus os entregou a uma disposição mental reprovável, para praticarem coisas inconvenientes, Rom 1.28 SOMENTE A GRAÇA de Jesus é o poder superior ao do pecado, e que pode vencê-lo. Por conseguinte não é difícil entender que somente mantendo comunhão com o Senhor, no Espírito, é possível se obter a vitória sobre o pecado, e e não somente isto, mas a obtenção de uma mente espiritual renovada que sobrepuja e vence a mente carnal. Mais do que a simples lei natural que foi inscrita por Deus no coração de toda pessoa, necessitamos da lei do Espírito e de vida, que passa a ser a lei na nossa mente, à qual Paulo se refere em Rom 7.23, e contra a qual guerreia a lei do pecado: 23 mas vejo, nos meus membros, outra lei que, guerreando contra a lei da minha mente, me faz prisioneiro da lei do pecado que está nos meus membros. Rom 7.23 25 Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor. De maneira que eu, de mim mesmo, com a mente, sou escravo da lei de Deus, mas, segundo a carne, da lei do pecado. Rom 7.25 A carne sempre é sujeita à lei do pecado, e por isso o crente deve se despojar de um viver carnal, pelo Espírito Santo, para que não seja escravizado pelo pecado, quando anda segundo a carne. Mas, ainda que seja vencido em algumas batalhas em que o Espírito luta contra a carne, e esta contra o Espírito, se somos servos de Deus de fato, e se temos uma mente renovada que se inclina para a Sua santa vontade, podemos alcançar a vitória sobre a disposição carnal e o pecado, por meio da fé em Cristo, confessando e abandonando o pecado e a nossa fraqueza, trocando-os pela santificação e poder do Espírito. Louvado seja Deus por sua infinita misericórdia e graça que nos concedeu em Jesus Cristo. Os caminhos e os pensamentos de Deus são mais elevados e profundos do que os caminhos e pensamentos da mente natural humana. Por isso devemos apenas confiar inteiramente nele e nas boas promessas e pelavras que nos revelou nas Escrituras, que se baseiam na aliança que fez em nosso favor com seu Filho Unigênito, para que posamos ser tornados seus filhos e ter o poder de andarmos dignamente em Sua presença, pois tudo quando ele exige de nós ele mesmo nos capacita a realizar pelo poder, instrução e direção do Espírito Santo. 27 E aquele que sonda os corações sabe qual é a mente do Espírito, porque segundo a vontade de Deus é que ele intercede pelos santos. Rom 8.27 33 Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! 34 Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro? Rom 11.33,34 2 E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. Rom 12.2 5 Um faz diferença entre dia e dia; outro julga iguais todos os dias. Cada um tenha opinião bem definida em sua própria mente. Rom 14.5 Nesta passagem, o que está sendo abordado é o assunto de os crentes terem uma opinião bem definida em suas mentes, quanto às suas preferências comuns e naturais (como por exemplo o que comer, vestir etc) sem julgarem e reprovarem as preferências de outras pessoas. Evidentemente, estas preferências não devem ser contrárias à vontade de Deus, a qual é absoluta e deve ser cumprida à risca por todos. Não se trata portanto de que cada um pode escolher o tipo de doutrina segundo a sua própria vontade. 10 Rogo-vos, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que faleis todos a mesma coisa e que não haja entre vós divisões; antes, sejais inteiramente unidos, na mesma disposição mental e no mesmo parecer. I Cor 1.10 Pelo que foi tratado na passagem anterior, podemos entender que o mandamento desta de I Cor 1.10 refere-se sobretudo à sã doutrina e à forma de se conduzir na comunhão dos santos, e não propriamente que todos os crentes devem ter o mesmo pensamento em relação a todas as coisas, o que seria até mesmo impossível. 16 Pois quem conheceu a mente do Senhor, que o possa instruir? Nós, porém, temos a mente de Cristo. I Cor 2.16 Não podemos conhecer todo o conselho da vontade de Deus e o fundamento de todos os seus decretos, mas podemos discernir qual seja a sua vontade para a nossa vida e conduta, por termos a mesma mente de Cristo pela qual podemos discernir tudo o que foi revelado para o nosso crescimento espiritual na verdade e no amor de Deus. 14 Porque, se eu orar em outra língua, o meu espírito ora de fato, mas a minha mente fica infrutífera. 15 Que farei, pois? Orarei com o espírito, mas também orarei com a mente; cantarei com o espírito, mas também cantarei com a mente. I Cor 14.14,15 A referência à mente nesta passagem de I Cor 14.14,15 é ao entendimento consciente de nossa faculdade racional, em contraposição à manifestação do dom espiritual sobrentual de falar em línguas, que não pode ser interpretado pela mente racional, de modo que ambos devem ser exercidos no ajuntamento dos santos com sabedoria e ordem, de maneira que não se pregue e ore apenas em línguas que não podem ser compreendidas, mas que também sejam usadas palavras que possam ser entendidas por todos. 3 Mas receio que, assim como a serpente enganou a Eva com a sua astúcia, assim também seja corrompida a vossa mente e se aparte da simplicidade e pureza devidas a Cristo. 2 Cor 11.3 A mente natural de toda pessoa foi corrompida por causa do pecado original, de forma que a mente a que Paulo se refere neste texto é a mente renovada espiritual do crente, que pode ser corrompida por Satanás, que se transfigura até mesmo em anjo de luz, com o propósito de enganar os crentes. 17 Isto, portanto, digo e no Senhor testifico que não mais andeis como também andam os gentios, na vaidade dos seus próprios pensamentos, Ef 4.17 A palavra para pensamentos neste texto, no original grego é também nous = mente, indicando portanto, que os pensamentos vãos dos que não conhecem a Deus (gentios) é decorrente do fato de não possuírem uma mente renovada pelo Espírito Santo; de maneira que não convém aos santos se comportarem tal como os gentios, para que não se afastem com isto, da comunhão com Deus. 22 no sentido de que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe segundo as concupiscências do engano, 23 e vos renoveis no espírito do vosso entendimento, 24 e vos revistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade. Ef 4.22-24 Como na passagem anterior de Ef 4.17, a palavra no original grego nous (mente) é vertida no verso 23 para “entendimento”, e assim teríamos espírito da vossa mente; indicando a necessidade que todo crente tem de renovar a sua mente pela operação do Espírito Santo com o seu próprio espírito, porque isso é abolutamente essencial para que possamos nos revestir do novo homem, ou seja, da nova criatura que somos em Cristo Jesus, segundo o novo nascimento recebido do Espírito Santo em justiça e retidão procedentes da verdade. 7 E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus. Fp 4.7 Não é o coração e a mente natural que serão guardados pela paz de Deus, mas o novo coração, o coração de carne prometido no lugar do de pedra, e a mente renovada pelo Espírito Santo na qual foi inscrita a lei do evangelho, caso o crente ande em obediência ao Senhor. 18 Ninguém se faça árbitro contra vós outros, pretextando humildade e culto dos anjos, baseando-se em visões, enfatuado, sem motivo algum, na sua mente carnal, Col 2.18 A mente carnal é atuante sem que haja necessidade de qualquer esforço de nossa parte para tal; mas a mente renovada espiritual depende de ser adquirida mediante muito esforço e diligência cada vez maior em acrescentar graça sobre graça em nossa caminhada cristã, pela oração, meditação na Palavra, comuhão dos santos etc. Agora, nas três últimas passagens bíblicas que destacamos, é enfocado pelo apóstolo Paulo nas espístolas pastorais dirigidas a Timóteo e a Tito, o cuidado que deveriam ter para manter a verdade, o amor e a sã doutrina entre os crentes, por se contraporem ao ensino dos falsos mestres nas igrejas de Éfeso e Creta, os quais eram homem de mente corrompida e pervertida, ou seja, que não eram dirigidos pelo Espírito Santo, que desconheciam a vontade e a Palavra de Deus, e que com isto estavam pervertendo a fé dos crentes daquelas igrejas. De uma fonte ruim não podem fluir águas saudáveis. Aqueles homens eram como fontes que na verdade, nem água possuíam, pois suas mentes não haviam sido trabalhadas e renovadas pelo poder do Espírito Santo, pois eram réprobos quanto à fé. Este cuidado deve ser mantido em todas as gerações da Igreja de Cristo, pois a Reforma que consiste na vigilância e esforço para trazer a verdade do evangelho sempre à sua forma original, conforme fundamentado na pessoa de Jesus e nos apóstolos, nas Ecrituras, é algo que deve estar sempre sendo realizado para que o castiçal da igreja não seja removido pelo Senhor. 5 altercações sem fim, por homens cuja mente é pervertida e privados da verdade, supondo que a piedade é fonte de lucro. I Tim 6.5 8 E, do modo por que Janes e Jambres resistiram a Moisés, também estes resistem à verdade. São homens de todo corrompidos na mente, réprobos quanto à fé; 2 Tim 3.8 15 Todas as coisas são puras para os puros; todavia, para os impuros e descrentes, nada é puro. Porque tanto a mente como a consciência deles estão corrompidas. Tito 1.15 Concluindo o nosso breve estudo sobre a mente, devemoa destacar que nosso Senhor Jesus Cristo disse que aquele que nele cresse, do seu interior fluiriam rios de água viva, referindo-se à multiplicidade de pensamentos e operações espirituais, celestiais e divinas que fluiriam daqueles que tivessem a habitação do Espírito Santo e que andassem nele, pois seria como uma fonte inesgotável da qual procederiam tais pensamentos e operações espontâneas nos crentes espirituais, e somente nestes, pois nos carnais, os canais pelos quais os mesmos fluem ficam obstruídos. Assim, como a mente natural produz espontaneamente pensamentos vãos e naturais nos quais nenhuma glória é conduzida a Deus, de igual modo na mente espiritual também são produzidos pensamentos espontâneos, só que estes são proveitosos e trazem muita glória a Deus. Sendo portanto tais pensamentos espontâneos a melhor evidência e medida para sabermos se somos de fato espirituais e não carnais.
Silvio Dutra Alves
Enviado por Silvio Dutra Alves em 05/02/2025
Alterado em 20/02/2025 Áudios Relacionados:
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